segunda-feira, 25 de agosto de 2008

saidas

pela janela hoje alcei
até a rua la embaixo.
leve que ia, aos pouco se abria
uma enorme imensidão,
que em imensas possibilidades
dei asas a antigas fantasias.

alcei até a praia, donde
andei pela agua e mergulhei até o fundo
no mergulho profundo o pequenino peixe disse:
alce mais!
alcei então ao redor do mundo
que em apenas um segundo o conheci
em sua forma esférica mais brilhante
que excitante foi alçar.
alcei até venus, plutão, Marte.
encontrei meus poetas perdidos
procurando no céu outra forma de arte.
alcei por tudo, fui até o centro
alcei feito o vento
alcei por toda e qualquer parte
alcei, alcei mesmo, viajei
e por fim,
acordei.

ontem à praça, o banco
ali sem que ninguém
sentasse.
a bicicleta no poste,
pobre acorrentada, nada,
na coitada ninguém que pedalasse.
no centro, o palco.
o tolo microfone com fome,
mas no infame
ninguém que falasse.
o nobre vendedor velava
o horror no pavor, pois,
ninguém ali que comprasse.
eu, olhei pra mim, sim, pra dentro.
e logo vi.
a solidão também é minha.